Telemóvel para crianças: o impacto no desenvolvimento infantil

January 26, 2026

Estamos cada vez mais conectados com o mundo digital e, por sua vez, o acesso dos mais jovens é cada vez mais precoce.📱

Nos dias que correm, as crianças criam um hábito diário com a tecnologia mesmo antes de entrarem no ensino escolar, o que nos faz questionar: 

👉 Será isto algo realmente positivo? 

👉 Será que impacta, de alguma forma, o desenvolvimento infantil?

Hoje, iremos explorar o tema com maior profundidade, percebendo o porquê de esta ser uma questão que preocupa os adultos.

Telemóvel para crianças: porque é que o acesso precoce preocupa?

Os primeiros anos de vida são profundamente cruciais para uma criança. O cérebro está em constante desenvolvimento e a criança molda-se através da experiência, do movimento, das interações sociais e das brincadeiras!

No entanto, o telemóvel surge para contrariar esta dinâmica, criando dependências que acabam por substituir experiências que seriam essenciais para um desenvolvimento infantil saudável e pleno.

A questão central passa não só pelo tempo de ecrã, mas também pela idade plausível para uma criança aceder a esta realidade tecnológica. Dispositivos como tablets, computadores e telemóveis entregam estímulos rápidos, intensos e constantes que o cérebro de uma criança ainda não está preparado para receber.

📖 Estudos, inclusive, revelam que o tempo excessivo de ecrã afeta a estrutura e o funcionamento do cérebro afetando o lobo frontal - uma parte essencial do cérebro humano nas diferentes áreas da vida, desde o bem-estar, o sucesso académico e profissional e as competências sociais. 🧠

Quais são as consequências do uso excessivo do telemóvel

As consequências da utilização precoce e excessiva do telemóvel nem sempre são óbvias para os pais. No entanto, é cada vez mais importante alertar sobre os efeitos a médio-longo prazo que impactam não só a fase da infância e adolescência, mas também a vida adulta. Surgem, frequentemente:

📖 Um estudo recente que contou com a participação de mais de 100 000 jovens entre os 18 e os 24 anos, e que analisou o impacto da aquisição do telemóvel antes dos 13 anos trouxe-nos conclusões relevantes neste sentido. Estes perceberam que existe uma forte correlação entre a idade de aquisição de um smartphone e a gravidade dos sintomas na vida adulta. Nestes sintomas estão incluídos:

  • Pensamentos suicidas
  • Agressividade
  • Sentimentos de distanciamento da realidade
  • Aumento de pensamentos intrusivos
  • Baixa autoestima, controlo emocional e resiliência.

Concluiu-se também que a utilização do telemóvel antes dos 13 anos de idade, aumenta o risco de existência de casos de ciberbullying e impacta, de forma significativa, o desenvolvimento e aquisição de competências sociais, resultando numa tendência para o isolamento. Adicionalmente, o uso precoce do telemóvel está associado a perturbações do sono - que estão intimamente relacionados com o acesso antecipado às redes sociais.

Quais são as desvantagens do telemóvel? 

Além das consequências para o bem-estar e saúde mental, as desvantagens da utilização do telemóvel tornam-se ainda mais gravosas quando não existe um controlo e supervisão por parte dos adultos OU quando estes utilizam o telemóvel como meio para acalmar, distrair ou ocupar a criança. 

Estes pequenos “hábitos” promovem:

  • Desenvolvimento de dependência digital 
  • Diminuição das interações sociais presenciais resultando num aumento de comportamentos de isolamento 
  • Maior exposição a conteúdos inadequados/impróprios para a idade
  • Decréscimo do desempenho escolar

O telemóvel, de facto, pode ser uma resposta rápida para situações de choro, frustração e irritação da criança. No entanto, isto impede, ao mesmo tempo, que a criança aprenda a gerir as próprias emoções de uma forma saudável. 

Assim, a solução passa pela criação de limites, regras e pela supervisão constante. 

Quanto tempo devo estar no telemóvel por dia? 

🤔 Como temos visto ao longo do artigo, a resposta é muito simples: em idades precoces, quanto menos exposição, melhor.

  • Crianças com menos de 2 anos não é recomendada a exposição a ecrãs. 
  • Crianças entre os 2 e os 5 anos devem ser limitadas a 1 hora por dia. 
  • Para crianças acima dos 5 anos e adolescentes, o limite recomendado são 2 horas por dia.

Acima de tudo, devemos permanecer atentos e observar o impacto que a utilização destes dispositivos podem ter no comportamento, sono e humor da criança. 🔍

Como tirar o vício do telemóvel?

Este pode ser um processo difícil, mas algumas práticas podem ajudar a reduzir esta adição:

⌛ Redução gradual do tempo de ecrã

Comece por estabelecer um horário de utilização, não abrindo espaço para flexibilidade. 

📋 Criação de rotinas previsíveis

Ao estabelecer uma rotina com tempo para: a escola, a  família, as brincadeiras, os trabalhos de casa e os ecrãs evita que a criança esteja largos períodos de tempo exposta a um ecrã.

🪁 Incentivo à brincadeira e ao movimento

Crianças nasceram para brincar, correr e socializar com outras crianças! É importante incentivar a momentos de diversão reais que promovam o movimento do corpo e o fortalecimento/criação de laços afetivos. 

🏠 Criar zonas “sem ecrãs” na própria casa

É importante estabelecer zonas em que a criança perceba que não é o local apropriado para mexer no telemóvel. 

Por exemplo:

  • Ao proibir o uso do telemóvel no escritório, a criança percebe que é tempo de apenas focar no estudo.
  • Ao proibir o uso do telemóvel no quarto, a criança percebe que é tempo de brincar com os seus brinquedos ou de descansar, sem interferências digitais. 

👫 Presença ativa dos pais

É igualmente importante que não seja apenas a criança com um tempo reduzido no telemóvel. Os pais devem também dar o exemplo e criar este hábito investindo, consequentemente no tempo em família!

Como escolher o primeiro telemóvel adequado para crianças:

Com o crescimento da criança é natural que surja a necessidade de ter um meio extra de contacto, como o telemóvel. No entanto, a escolha do primeiro smartphone deve ser minuciosa. Além das chamadas e mensagens, este deve permitir:

  • Controlo parental ativo 
  • Acesso limitado à internet - para evitar o acesso a conteúdos impróprios para idade e desenvolvimento da criança
  • Resistência a quedas

Assim que a criança adquirir um telemóvel, os pais devem também:

  • Limitar o acesso às redes sociais 
  • Limitar o acesso a jogos 
  • Limitar/reduzir as notificações

⚠️ Devemos olhar para o primeiro telemóvel como um meio extra de comunicação da criança e não como um meio de entretenimento para a mesma. 

Telemóvel de brincar: será uma alternativa mais segura?

Para as crianças mais pequeninas, o telemóvel de brincar pode ser uma alternativa. Brinquedos que simulem a realidade do mundo adulto permitem um crescimento infantil saudável, mas também abrem portas para o desenvolvimento da imaginação, linguagem e interação social! 👶✨

Considerações Finais

🔸 Dispositivos como tablets, computadores, telemóveis entregam estímulos rápidos, intensos e constantes que o cérebro de uma criança ainda não está preparado para receber.

🔸 A utilização precoce e excessiva do telemóvel pode ter consequências não só para a infância e adolescência mas também para a vida adulta.

🔸 As desvantagens da utilização do telemóvel tornam-se ainda mais gravosas quando não existe um controlo e supervisão dos pais OU quando estes utilizam para acalmar/ocupar a criança.

🔸 Em idades precoces, quanto menos exposição a ecrãs, melhor.

🔸 Algumas práticas podem ajudar a reduzir a adição digital, especialmente, quando aplicadas desde cedo.

🔸 No entanto, a escolha do primeiro smartphone deve ser minuciosa e os pais devem limitar o acesso à internet, jogos e reduzir as notificações.

🔸 O telemóvel deve ser visto como um meio de comunicação e não como um meio de entretenimento.

🔸 Para as crianças pequeninas o telemóvel de brincar pode ser uma alternativa interessante a explorar.

Referências

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Hussain, S. (2025). Growing Up with Screens: A Study on the Effects of Excessive Mobile Device Exposure in Early Childhood. Journal of Media & Communication. https://doi.org/10.46745/ilma.jmc.2025.06.01.02

Nuvoli, V., Camanni, M., Mariani, I., Ponte, S., Black, M., & Lazzerini, M. (2025). Digital screen exposure in infants, children and adolescents: a systematic review of existing recommendations. Public Health in Practice, 10. https://doi.org/10.1016/j.puhip.2025.100653

Thiagarajan, T. C., Newson, J. J., & Swaminathan, S. (2025). Protecting the Developing Mind in a Digital Age: A Global Policy Imperative. Journal of Human Development and Capabilities, 26(3), 493–504. https://doi.org/10.1080/19452829.2025.2518313 

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