Telemóvel para crianças: o impacto no desenvolvimento infantil

Estamos cada vez mais conectados com o mundo digital e, por sua vez, o acesso dos mais jovens é cada vez mais precoce.📱
Nos dias que correm, as crianças criam um hábito diário com a tecnologia mesmo antes de entrarem no ensino escolar, o que nos faz questionar:
👉 Será isto algo realmente positivo?
👉 Será que impacta, de alguma forma, o desenvolvimento infantil?
Hoje, iremos explorar o tema com maior profundidade, percebendo o porquê de esta ser uma questão que preocupa os adultos.
Telemóvel para crianças: porque é que o acesso precoce preocupa?
Os primeiros anos de vida são profundamente cruciais para uma criança. O cérebro está em constante desenvolvimento e a criança molda-se através da experiência, do movimento, das interações sociais e das brincadeiras!
No entanto, o telemóvel surge para contrariar esta dinâmica, criando dependências que acabam por substituir experiências que seriam essenciais para um desenvolvimento infantil saudável e pleno.
A questão central passa não só pelo tempo de ecrã, mas também pela idade plausível para uma criança aceder a esta realidade tecnológica. Dispositivos como tablets, computadores e telemóveis entregam estímulos rápidos, intensos e constantes que o cérebro de uma criança ainda não está preparado para receber.
📖 Estudos, inclusive, revelam que o tempo excessivo de ecrã afeta a estrutura e o funcionamento do cérebro afetando o lobo frontal - uma parte essencial do cérebro humano nas diferentes áreas da vida, desde o bem-estar, o sucesso académico e profissional e as competências sociais. 🧠
Quais são as consequências do uso excessivo do telemóvel
As consequências da utilização precoce e excessiva do telemóvel nem sempre são óbvias para os pais. No entanto, é cada vez mais importante alertar sobre os efeitos a médio-longo prazo que impactam não só a fase da infância e adolescência, mas também a vida adulta. Surgem, frequentemente:
- Dificuldades de atenção e concentração
- Maior hiperatividade e impulsividade
- Menor tolerância à frustração
- Alterações no sono
📖 Um estudo recente que contou com a participação de mais de 100 000 jovens entre os 18 e os 24 anos, e que analisou o impacto da aquisição do telemóvel antes dos 13 anos trouxe-nos conclusões relevantes neste sentido. Estes perceberam que existe uma forte correlação entre a idade de aquisição de um smartphone e a gravidade dos sintomas na vida adulta. Nestes sintomas estão incluídos:
- Pensamentos suicidas
- Agressividade
- Sentimentos de distanciamento da realidade
- Aumento de pensamentos intrusivos
- Baixa autoestima, controlo emocional e resiliência.
Concluiu-se também que a utilização do telemóvel antes dos 13 anos de idade, aumenta o risco de existência de casos de ciberbullying e impacta, de forma significativa, o desenvolvimento e aquisição de competências sociais, resultando numa tendência para o isolamento. Adicionalmente, o uso precoce do telemóvel está associado a perturbações do sono - que estão intimamente relacionados com o acesso antecipado às redes sociais.
Quais são as desvantagens do telemóvel?
Além das consequências para o bem-estar e saúde mental, as desvantagens da utilização do telemóvel tornam-se ainda mais gravosas quando não existe um controlo e supervisão por parte dos adultos OU quando estes utilizam o telemóvel como meio para acalmar, distrair ou ocupar a criança.
Estes pequenos “hábitos” promovem:
- Desenvolvimento de dependência digital
- Diminuição das interações sociais presenciais resultando num aumento de comportamentos de isolamento
- Maior exposição a conteúdos inadequados/impróprios para a idade
- Decréscimo do desempenho escolar
O telemóvel, de facto, pode ser uma resposta rápida para situações de choro, frustração e irritação da criança. No entanto, isto impede, ao mesmo tempo, que a criança aprenda a gerir as próprias emoções de uma forma saudável.
Assim, a solução passa pela criação de limites, regras e pela supervisão constante.
Quanto tempo devo estar no telemóvel por dia?
🤔 Como temos visto ao longo do artigo, a resposta é muito simples: em idades precoces, quanto menos exposição, melhor.
- Crianças com menos de 2 anos não é recomendada a exposição a ecrãs.
- Crianças entre os 2 e os 5 anos devem ser limitadas a 1 hora por dia.
- Para crianças acima dos 5 anos e adolescentes, o limite recomendado são 2 horas por dia.
Acima de tudo, devemos permanecer atentos e observar o impacto que a utilização destes dispositivos podem ter no comportamento, sono e humor da criança. 🔍
Como tirar o vício do telemóvel?
Este pode ser um processo difícil, mas algumas práticas podem ajudar a reduzir esta adição:
⌛ Redução gradual do tempo de ecrã
Comece por estabelecer um horário de utilização, não abrindo espaço para flexibilidade.
📋 Criação de rotinas previsíveis
Ao estabelecer uma rotina com tempo para: a escola, a família, as brincadeiras, os trabalhos de casa e os ecrãs evita que a criança esteja largos períodos de tempo exposta a um ecrã.
🪁 Incentivo à brincadeira e ao movimento
Crianças nasceram para brincar, correr e socializar com outras crianças! É importante incentivar a momentos de diversão reais que promovam o movimento do corpo e o fortalecimento/criação de laços afetivos.
🏠 Criar zonas “sem ecrãs” na própria casa
É importante estabelecer zonas em que a criança perceba que não é o local apropriado para mexer no telemóvel.
Por exemplo:
- Ao proibir o uso do telemóvel no escritório, a criança percebe que é tempo de apenas focar no estudo.
- Ao proibir o uso do telemóvel no quarto, a criança percebe que é tempo de brincar com os seus brinquedos ou de descansar, sem interferências digitais.
👫 Presença ativa dos pais
É igualmente importante que não seja apenas a criança com um tempo reduzido no telemóvel. Os pais devem também dar o exemplo e criar este hábito investindo, consequentemente no tempo em família!
Como escolher o primeiro telemóvel adequado para crianças:
Com o crescimento da criança é natural que surja a necessidade de ter um meio extra de contacto, como o telemóvel. No entanto, a escolha do primeiro smartphone deve ser minuciosa. Além das chamadas e mensagens, este deve permitir:
- Controlo parental ativo
- Acesso limitado à internet - para evitar o acesso a conteúdos impróprios para idade e desenvolvimento da criança
- Resistência a quedas
Assim que a criança adquirir um telemóvel, os pais devem também:
- Limitar o acesso às redes sociais
- Limitar o acesso a jogos
- Limitar/reduzir as notificações
⚠️ Devemos olhar para o primeiro telemóvel como um meio extra de comunicação da criança e não como um meio de entretenimento para a mesma.
Telemóvel de brincar: será uma alternativa mais segura?
Para as crianças mais pequeninas, o telemóvel de brincar pode ser uma alternativa. Brinquedos que simulem a realidade do mundo adulto permitem um crescimento infantil saudável, mas também abrem portas para o desenvolvimento da imaginação, linguagem e interação social! 👶✨
Considerações Finais
🔸 Dispositivos como tablets, computadores, telemóveis entregam estímulos rápidos, intensos e constantes que o cérebro de uma criança ainda não está preparado para receber.
🔸 A utilização precoce e excessiva do telemóvel pode ter consequências não só para a infância e adolescência mas também para a vida adulta.
🔸 As desvantagens da utilização do telemóvel tornam-se ainda mais gravosas quando não existe um controlo e supervisão dos pais OU quando estes utilizam para acalmar/ocupar a criança.
🔸 Em idades precoces, quanto menos exposição a ecrãs, melhor.
🔸 Algumas práticas podem ajudar a reduzir a adição digital, especialmente, quando aplicadas desde cedo.
🔸 No entanto, a escolha do primeiro smartphone deve ser minuciosa e os pais devem limitar o acesso à internet, jogos e reduzir as notificações.
🔸 O telemóvel deve ser visto como um meio de comunicação e não como um meio de entretenimento.
🔸 Para as crianças pequeninas o telemóvel de brincar pode ser uma alternativa interessante a explorar.
Referências
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Nuvoli, V., Camanni, M., Mariani, I., Ponte, S., Black, M., & Lazzerini, M. (2025). Digital screen exposure in infants, children and adolescents: a systematic review of existing recommendations. Public Health in Practice, 10. https://doi.org/10.1016/j.puhip.2025.100653.
Thiagarajan, T. C., Newson, J. J., & Swaminathan, S. (2025). Protecting the Developing Mind in a Digital Age: A Global Policy Imperative. Journal of Human Development and Capabilities, 26(3), 493–504. https://doi.org/10.1080/19452829.2025.2518313
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