FOMO: como o medo de perder algo afeta uma geração digital

February 11, 2026

Alguma vez ouviu o termo FOMO? Esta é uma expressão bastante utilizada (e com uma tendência cada vez maior) sobretudo entre jovens e utilizadores fiéis das redes sociais. 

Mas o que significa?

O termo FOMO é uma sigla para Fear Of Missing Out, ou seja, o “medo de ficar de fora” ou “medo de perder algo”.

Ao longo deste artigo de blog, iremos esclarecer em que consiste, quais as causas e, mais importante ainda: quais as suas consequências para a saúde.

O que é FOMO

Este fenómeno, mais comum do que imaginamos, trata-se de um sentimento de desconforto e ansiedade provocado pela ideia de que outras pessoas estão a viver experiências melhores, mais interessantes ou gratificantes do que nós. 

Por outras palavras, o Cambridge Dictionary define-o até como “um sentimento de preocupação em perder eventos aliciantes a que outras pessoas vão e que é causado, essencialmente, pelo conteúdo que é visualizado nas redes sociais”.

Mas no que consiste o FOMO e como se manifesta?👇

FOMO: características e manifestações

O FOMO surge da necessidade do ser humano de se integrar na sociedade e de se sentir válido. Posto isto, através das redes sociais, é possível acompanhar, quase em tempo real, o que amigos, familiares, conhecidos e celebridades estão a fazer. Estas plataformas permitem aceder a informações do interesse coletivo, mantendo-nos também a par de novidades, notícias, tendências e eventos - ajudando a escapar à sensação de “ficar para trás” ou, por outras palavras, à exclusão social.

Segundo estudos, o FOMO é composto por duas componentes principais:

  1. Inquietação ao sentir que outras pessoas estão a viver experiências mais gratificantes e que leva a sentimentos ansiosos.
  2. Necessidade de estar sempre ligado às redes sociais, que acaba por ser uma resposta comportamental com o objetivo de reduzir essa mesma ansiedade. 

O FOMO manifesta-se essencialmente através de:

  • Verificação constante do telemóvel, que se traduz num impulso incontrolável de ver o que se passa nas redes sociais ou de verificar as notificações. 
  • Dificuldade em desligar do mundo digital. Estar sempre online compromete a qualidade dos momentos em família ou com amigos. 
  • Comparação com o que está a ocorrer na vida de outras pessoas. Acompanhar pessoas de influência, amigos, família ou até mesmo conhecidos, pode gerar pensamentos de inferioridade: que estamos a viver menos do que a outra pessoa, a aproveitar mal o tempo ou que somos menos bem sucedidos. 
  • Insatisfação com o presente. A realidade editada que vemos nas redes sociais pode, muitas vezes, criar insatisfação com a vida real e com o ambiente que nos rodeia.
  • Medo de recusar convites ou oportunidades. O receio de perder experiências e ligações importantes leva a que muitas pessoas acabem por aceitar convites ou compromissos que não conseguem gerir. 

Em suma, o FOMO cria uma sensação de urgência e uma necessidade intensa de estar sempre presente, atualizado sobre os temas do momento, acompanhar todas as novidades e estar disponível para o que surgir.

Causas para o FOMO

Existem diversos fatores que contribuem para o surgimento deste sentido de urgência que acompanha o FOMO.

Segundo um estudo que envolveu 255 estudantes universitários na Hungria, concluiu-se que o vício das redes sociais, a comparação social, o perfecionismo e a solidão estão positivamente correlacionadas com o FOMO. Ou seja, quanto mais intensos estes fatores, maior tende a ser a presença do FOMO.

🔹 A comparação social é o fator mais forte. As redes sociais facilitam a comparação constante com os outros, uma vez que o ser humano procura ser único mas, ao mesmo tempo, encaixar-se socialmente. 

🔹 Este hábito de comparação pode tornar-se perigoso e conduzir a um uso excessivo das redes sociais e à criação de um ciclo vicioso difícil de quebrar entre a comparação e a utilização constante das diferentes plataformas. 

🔹 A solidão, por sua vez, desperta a necessidade natural do ser humano de se conectar e de pertencer a algo. Neste sentido, a comparação pode intensificar sentimentos de solidão que contribuem para o FOMO.

🔹 O perfecionismo está associado ao medo de ser julgado ou rejeitado por terceiros. Pessoas perfecionistas tendem a comparar-se com os outros, o que pode levar a uma baixa autoestima e elevada autocrítica refletindo-se no aumento da preocupação em perder experiências importantes. 

Por outras palavras, esta forte dependência do telemóvel e do mundo digital pode afetar significativamente o nosso bem-estar.

O impacto do FOMO na saúde e bem-estar

Fontes científicas confirmam que o FOMO pode trazer consequências para a produtividade, saúde mental, qualidade do sono, mas também para o bem-estar físico. 

🔸 No que diz respeito à saúde mental, o FOMO e a utilização excessiva de dispositivos eletrónicos torna o indivíduo mais vulnerável ao desenvolvimento de perturbações ansiosas, sintomas depressivos, baixa autoestima, mas também a comportamentos de risco como o consumo de álcool, substâncias ilícitas e pensamentos suicidas. 

🔸 Quanto à qualidade do sono, fatores como:

  •  A preocupação 
  • A utilização de dispositivos antes de dormir 
  • O impacto da luz azul 

Resultam num maior tempo para adormecer, num sono mais curto e de qualidade significativamente inferior, afetando a saúde mental.

🔸 Relativamente à produtividade, o FOMO e a utilização excessiva e inadequada das redes sociais (durante o horário de trabalho ou estudos) afetam a atenção e criam interrupções constantes, prejudicando o fluxo de trabalho, o processo de aprendizagem e a produtividade.

Além disto, contribuem para estilos de vida mais sedentários e para o desenvolvimento de problemas de visão e de atenção, má postura e dores musculares, interferindo com a saúde física

Ultrapassar estas dificuldades passa por procurar e adotar estratégias para desenvolver uma relação mais saudável com o tempo de ecrã e com o que vemos nas diferentes plataformas digitais.

Estratégias para reduzir o FOMO

O desapegar do digital pode ser difícil, especialmente para crianças e adolescentes, mas torna-se essencial para uma melhor qualidade de vida. Desta forma, é importante:

⏳ Estabelecer um horário para o uso do telemóvel.

Como vimos ao longo do artigo, o tempo de ecrã pode impactar a nossa saúde, produtividade e atenção. Estabeleça horários específicos para consultar as redes sociais (idealmente não mais do que duas horas por dia). 

📱 Promover um uso consciente das redes sociais.

As redes sociais são o meio perfeito para dar origem a comparações - algo particularmente comum entre os mais jovens. 

Limite o conteúdo que chega até ao ecrã. Certos conteúdos irrealistas podem diminuir a autoestima e criar uma insatisfação com a própria realidade. Deixar de seguir ou silenciar certas contas pode ajudar nesse sentido.

🧘‍♀️ Aproveitar o presente. 

Procure desligar-se do online, foque-se no que está à sua volta, nas pessoas que estão consigo e estabeleça conversas reais.

As práticas de mindfulness podem ajudar a criar verdadeiras ligações com o ambiente.

📋 Definir prioridades.

Não precisa de aderir a todas as trends ou de ir a todos os eventos. Estabeleça o que é realmente importante para si e experiências que acha que melhor lhe fazem sentido.

🎯 Refletir sobre os gatilhos do FOMO

Procure entender que situações o fazem sentir com medo de perder algo ou de ficar para trás. Entender esses gatilhos irá ajudá-lo a agir com consciência e distinguir um desejo real de uma reação automática.

É cada vez mais difícil diminuir o tempo de ecrã de crianças e adolescentes quando este hábito não é implementado desde muito cedo. No entanto, a ajuda profissional pode ajudar a contrariar esta tendência. 

Ao identificar gatilhos, pensamentos e comportamentos disruptivos, é possível ensinar à criança ou adolescente técnicas e estratégias a implementar no dia a dia que vão contribuir para uma relação mais saudável com o digital - juntamente com o acompanhamento e supervisão dos pais. 📱💙

Considerações Finais

👉 FOMO é uma sigla para Fear Of Missing Out, ou seja, o “medo de ficar de fora” ou “medo de perder algo”.

👉 Trata-se de um sentimento de desconforto e ansiedade provocado pela ideia de que outras pessoas estão a viver experiências melhores do que nós.

👉 O FOMO é composto pela inquietação e pela necessidade de estar sempre ligado ao online.

👉 Estudos confirmam que o vício das redes sociais, a comparação social, o perfecionismo e a solidão estão positivamente correlacionadas com o FOMO.

👉 O FOMO pode impactar não só a nossa saúde mental mas também física.

👉 Existem estratégias que podem ajudar a reduzir o FOMO e a promover uma utilização mais consciente das redes sociais. 

Referências

Cambridge Dictionary. FOMO. https://dictionary.cambridge.org/pt/dicionario/ingles/fomo

Deniz, M. (2021). Fear of missing out (FoMO) mediate relations between social self-efficacy and life satisfaction. Psicologia: Reflexão e Crítica, 34, Article 28.  https://doi.org/10.1186/s41155-021-00193-w 

Elhai, J., Yang, H., & Montag, C. (2020). Fear of missing out (FOMO): overview, theoretical underpinnings, and literature review on relations with severity of negative affectivity and problematic technology use. Brazilian Journal of Psychiatry, 43, 203 - 209. https://doi.org/10.1590/1516-4446-2020-0870

Gupta, M., Sharma, A. (2021). Fear of missing out: A brief overview of origin, theoretical underpinnings and relationship with mental health. World journal of clinical cases, 9(19), 4881–4889. https://doi.org/10.12998/wjcc.v9.i19.4881

Piko, B. F., Müller, V., Kiss, H., Mellor, D. (2025). Exploring contributors to FoMO (fear of missing out) among university students: The role of social comparison, social media addiction, loneliness, and perfectionism. Acta Psychologica, 253, 104771. https://doi.org/10.1016/j.actpsy.2025.104771 

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