Hiperfoco: O que é e como gerir?

December 19, 2024
Escrito por:
Karen Palermo
Revisto por:

O termo "hiperfoco" refere-se a um estado de concentração extrema, em que uma pessoa se absorve numa atividade a ponto de ignorar tudo o que a rodeia. 🕵️

Esta é uma característica fascinante em pessoas com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) e é também observada no quadro da Perturbação do Espectro do Autismo (PEA).

Vamos explorar as causas, como pode ser identificado e de que forma pode ser aproveitado como vantagem para quem o experiencia!

O que é o Hiperfoco?

Como o próprio nome indica, o hiperfoco é um excesso de foco e concentração numa tarefa específica.

Em outras palavras, o mundo exterior “desaparece”, permitindo uma imersão completa naquilo que se está a fazer.

É normal ter Hiperfoco?

Qualquer pessoa pode entrar num estado de hiperfoco, mas algumas pesquisas sugerem que indivíduos com PHDA podem experienciá-lo com mais frequência, especialmente aqueles com sintomas mais acentuados. O hiperfoco pode ser tanto um desafio como uma vantagem para quem vive com PHDA – dependendo de como é gerido

Vamos exemplificar:

Benefícios do Hiperfoco

Motivação e Envolvimento: a PHDA pode estar associada a uma falta de motivação para tarefas repetitivas e aborrecidas. No entanto, em estado de hiperfoco, o cérebro sente-se altamente motivado até concluir a atividade.

Produtividade: em hiperfoco, o cérebro com PHDA ignora distrações e mantém uma atenção intensa numa tarefa, aumentando a produtividade e facilitando o cumprimento de prazos.

Aprimoramento da Aprendizagem: o hiperfoco pode ser um recurso valioso para aprender uma nova habilidade, idioma, desporto ou instrumento musical, ajudando a consolidar o conhecimento.

Criatividade: o hiperfoco estimula a persistência na resolução de problemas, permitindo encontrar soluções inovadoras e criativas.

Desafios do Hiperfoco

Negligência de Tarefas: focar-se apenas nas partes de um trabalho que são interessantes pode significar que outras tarefas importantes, como responsabilidades domésticas, pagamento de contas e obrigações diárias, ficam por fazer.

Equilíbrio entre Trabalho e Vida Pessoal: o hiperfoco pode reduzir o tempo disponível para atividades de relaxamento, autocuidado e convívio com família e amigos.

Dificuldades nas Relações: este estado de foco intenso pode causar tensões, seja por dedicar demasiado tempo ao trabalho e pouco à família ou por demonstrar afeto excessivo pelo parceiro.

Gestão e Impulsividade: o impulso para aceitar mais trabalho do que aquele que se consegue gerir, combinado com a dificuldade em priorizar, pode levar ao incumprimento de prazos e à perda de reuniões e compromissos importantes.

Noção do Tempo e Frustração: durante o hiperfoco, é comum perder a noção do tempo, o que causa frustração quando outras tarefas ficam para trás e compromissos são esquecidos.

Portanto, o grande segredo está no controlo deste “superpoder”, como veremos a seguir... 👀

Como gerir o Hiperfoco: Dicas Práticas

Se identifica em si (ou nos seus filhos) sinais de hiperfoco, estas dicas podem ajudar a equilibrar esse estado e a aproveitar ao máximo os seus benefícios:

Estabeleça limites de tempo

Use alarmes ou temporizadores para lembrar de fazer pausas. ⏰

O hiperfoco pode fazer com que tudo ao redor seja esquecido — as horas passam como segundos, o dia torna-se noite de repente, e até necessidades básicas como comer ou hidratar podem ser facilmente ignoradas.

Um alarme sonoro ajuda a monitorizar o tempo e a lembrar que é hora de mudar de tarefa! 

Gostamos bastante do Método Pomodoro, que divide o período de produtividade em blocos de tempo estruturados, facilitando o equilíbrio entre foco e pausas.

Defina metas e prioridades (todos os dias!)

Comece o dia criando uma lista de tarefas, dividindo projetos maiores em etapas pequenas e concretas. ✔️

Use um sistema visual com cores diferentes para distinguir o que é urgente e importante daquilo que pode esperar. 

Coloque apenas as tarefas prioritárias no seu plano do dia, deixando as restantes para outra ocasião. 

Esta prática ajuda a manter o foco no que realmente importa, evitando desperdício de tempo em tarefas menos relevantes.

Conheça os seus próprios interesses

Observe quais atividades mantêm a sua atenção por longos períodos, como jogar videojogos, ler um livro cativante ou navegar pelas redes sociais. 

Estas são formas de hiperfoco que, embora agradáveis, podem desviar a atenção das tarefas importantes do dia a dia.

Planifique para reservar estas atividades para momentos de tempo livre, como após o estudo/trabalho ou aos fins de semana. 📆

Assim, evita que interfiram nas tarefas importantes durante a semana e mantém o foco no que realmente precisa ser feito.

Procure apoio profissional

Se o hiperfoco estiver a impactar negativamente o seu desempenho no trabalho, as suas relações ou a gestão da casa, considere procurar ajuda.

🧑‍⚕️ Um profissional especializado pode ajudar a desenvolver estratégias de autorregulação personalizadas, adaptadas ao seu estilo de vida e aos gatilhos do seu hiperfoco. 

A nossa equipa especializada em PHDA está disponível para ajudar a controlar o hiperfoco e a utilizá-lo a seu favor!

Considerações Finais

O hiperfoco é um fenómeno complexo e muitas vezes incompreendido. Em pessoas com PHDA, pode tornar-se uma ferramenta poderosa quando bem orientado. 

Não é algo a ser “eliminado”, mas sim compreendido e gerido para evitar o isolamento excessivo e a desatenção a outras áreas da vida.

Se o hiperfoco estiver a dificultar a sua rotina diária — como comprometer prazos, gerar conflitos nas relações ou causar stress em casa —, procure orientação profissional para aprender a geri-lo. 

🧠🌟 A NeuroImprove está aqui para ajudar! Agende uma consulta e descubra como transformar o hiperfoco numa força positiva na sua vida.

Referências

Ashinoff, B. K., & Abu-Akel, A. (2021). Hyperfocus: the forgotten frontier of attention. Psychological research, 85(1), 1–19. doi: 10.1007/s00426-019-01245-8

Groen, Y., Priegnitz, U., Fuermaier, A. B. M., Tucha, L., Tucha, O., Aschenbrenner, S., Weisbrod, M., & Garcia Pimenta, M. (2020). Testing the relation between ADHD and hyperfocus experiences. Research in developmental disabilities, 107, 103789. doi: 10.1016/j.ridd.2020.103789

Hupfeld, K. E., Abagis, T. R., & Shah, P. (2019). Living “in the zone”: hyperfocus in adult ADHD. Adhd Attention Deficit and Hyperactivity Disorders, 11(2), 191–208. doi: 10.1007/s12402-018-0272-y 

Volkow, N. D., Wang, G. J., Newcorn, J. H., Kollins, S. H., Wigal, T. L., Telang, F., Fowler, J. S., Goldstein, R. Z., Klein, N., Logan, J., Wong, C., & Swanson, J. M. (2011). Motivation deficit in ADHD is associated with dysfunction of the dopamine reward pathway. Molecular psychiatry, 16(11), 1147–1154. doi: 10.1038/mp.2010.97

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