Mito ou Facto? 10 afirmações comuns sobre PHDA

Estudos apontam que a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) afeta cerca de 7,6% das crianças entre os 3 e os 12 anos e 5,6% dos adolescentes entre os 12 e os 18 anos de idade.
Mas, o que é a PHDA? Em que consiste?
Trata-se de uma perturbação do neurodesenvolvimento em que jovens (mas também adultos) podem demonstrar:
- Dificuldades em manter o foco e a concentração;
- Distração e desatenção frequentes;
- Dificuldades no controlo dos impulsos;
- Agitação e Hiperatividade;
- Dificuldade na regulação emocional;
Por ser uma perturbação cada vez mais reconhecida, surgem frequentemente informações que podem não ser verdadeiras. Por isso, como especialistas na área, trazemos 10 afirmações comuns para esclarecermos se são um mito… ou um facto! 🤔👇
1. “A PHDA é um “rótulo” para justificar traços de preguiça ou má educação da criança.”
Mito! Os sintomas da PHDA podem ser interpretados, muitas vezes, como sinais de “má educação” ou de “preguiça”. No entanto, é importante perceber que a criança apresenta dificuldades no controlo destes comportamentos e, por isso, precisa de compreensão, apoio e ajuda no seu dia a dia.
Crianças e adolescentes com PHDA podem apresentar dificuldades em permanecer sossegados, organizados, dispersam a atenção em momentos importantes e não conseguem levar muitas tarefas até ao fim - o que acaba por ser algo bastante frustrante para eles mesmos.
2. “O açúcar causa Hiperatividade”
Mito! O açúcar não causa hiperatividade. O que muitas vezes acontece é que, a ingestão excessiva de açúcar, pode levar picos de energia. Ou seja, a criança ao comer muitos doces, pode apresentar-se mais energética devido ao aumento dos níveis de dopamina - neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar - e por isso, verificar-se, momentaneamente, uma maior excitação ou agitação.
3. “A PHDA pode persistir ao longo da vida”
Facto! A PHDA é uma perturbação do neurodesenvolvimento. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios internacionais, envolvendo entrevista clínica estruturada, recolha de informação de múltiplos contextos, observação comportamental e utilização complementar de instrumentos de avaliação. É uma condição que tem início na infância e que pode persistir na vida adulta, embora a sua manifestação e intensidade possam variar ao longo do tempo.
4. “Posso dar medicação a uma criança só porque resultou com outra”
Mito! Nunca se deve automedicar ou incentivar uma criança a iniciar uma medicação para a PHDA “só porque com outra funcionou”. Cada caso clínico precisa de ser avaliado. O médico, dentro das opções de tratamento disponíveis, irá indicar a mais apropriada para caso clínico.
É até bastante comum não acertar na medicação certa à primeira tentativa e, portanto, todo este acompanhamento e vigia deve ser realizado junto de profissionais que têm o conhecimento e aptidão para ajudar cada criança da melhor forma possível.
5. “A PHDA é genética/hereditária”
Facto! O DSM-5 aponta para vários fatores que podem contribuir para o surgimento da PHDA, dos quais se encontra a hereditariedade (“fatores genéticos e fisiológicos”). Além disso, são vários os estudos que afirmam que a PHDA pode ter uma taxa de hereditariedade de 70% a 80%. Ou seja, quando uma criança é diagnosticada com PHDA, é comum descobrir, posteriormente, a mesma perturbação nos pais.
6. “Pessoas com PHDA não têm tanta percepção do tempo”
Facto! Estudos apontam que crianças e adolescentes com PHDA tendem a perceber o tempo de forma diferente de indivíduos com um “cérebro típico”. Normalmente, tendem a sobrestimar a duração do tempo (ou seja, percepcionam os intervalos mais longos do que realmente são) e tendem a apresentar uma menor precisão nos seus julgamentos temporais.
Assim, estes fatores podem levar a dificuldades na gestão de tempo, no planeamento de tarefas e na estimativa do tempo necessário para completar um determinado objetivo.
7. “Se a criança consegue focar-se horas num jogo, então não tem PHDA”
Mito! Crianças com PHDA também podem apresentar o chamado “Hiperfoco”, ou seja, são capazes de direcionar a sua atenção para algo do seu interesse (como os vídeojogos, por exemplo) e ficar focados nessa atividade/tópico por largos períodos de tempo.
8. “A PHDA está frequentemente associada a dificuldades emocionais”
Facto! É comum que crianças e adolescentes com PHDA (e mesmo adultos) apresentem dificuldades emocionais como: baixa tolerância à frustração, irritabilidade, pensamentos negativos, oscilações de humor frequentes e que sintam as emoções com maior intensidade.
9. “Os sinais na PHDA nem sempre são óbvios e alguns diagnósticos só se confirmam na vida adulta”
Facto! A PHDA manifesta-se de diferentes formas e existem, inclusive, 3 apresentações da perturbação:
- A apresentação desatenta (com sinais de desatenção e dificuldades em permanecer focado).
- A apresentação hiperativo-impulsiva (com sinais de constante agitação, movimento e reatividade).
- A apresentação combinada (combinação das apresentações anteriores).
Isto quer dizer que casos de desatenção, podem passar mais facilmente despercebidos do que uma criança com apresentação hiperativo-impulsiva. É até bastante comum que, nos casos de desatenção, o diagnóstico seja confirmado já na vida adulta (algo particularmente comum no género feminino que revela mais frequentemente a apresentação desatenta).
10. “A PHDA tem de ser tratada com medicação”
Mito! É comum pessoas acharem que os sintomas da PHDA só podem ser controlados através da medicação, o que é errado.
Através do Neurofeedback e da Psicologia Clínica é possível ajudar crianças e adolescentes a encontrarem um maior equilíbrio na rotina através da aquisição de técnicas e estratégias que proporcionam um maior sucesso, autonomia e realização em todas as áreas.
Esta abordagem integrada permite uma intervenção ajustada às necessidades de cada criança, promovendo um melhor funcionamento global.
Conclusões
A informação certa é a melhor ferramenta para qualquer pai ou mãe que procura compreender melhor as necessidades da sua criança, e estamos cá para oferecer esse esclarecimento e apoio.
Mais do que focar nas dificuldades da perturbação, é fundamental reconhecer as suas características únicas que, com a orientação adequada, podem transformar-se de forma positiva! Através do apoio especializado aliado à escuta, compreensão e dedicação, é possível apoiar cada criança e adolescente na sua jornada de desenvolvimento, ajudando-os a atingir o seu máximo potencial em todas as áreas e ao longo da vida. 🧡💙
Referências
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